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CARRINHO

Como lidar com a incontinência urinária e melhorar a qualidade de vida

  • Foto do escritor: Paulo Sérgio Allgayer
    Paulo Sérgio Allgayer
  • 26 de jan.
  • 5 min de leitura

Introdução

A incontinência urinária é um problema mais comum do que se imagina, mas ainda cercado de tabus, constrangimento e desinformação. Muitas pessoas acreditam que perder urina faz parte do envelhecimento, o que reforça o estigma e impede que idosos e familiares busquem ajuda.

No entanto, a incontinência urinária não é uma consequência natural da idade e pode ser tratada ou controlada com acompanhamento adequado, mudanças na rotina e o uso de produtos apropriados.

Se você cuida de um idoso ou convive com alguém que enfrenta essa condição, este artigo vai te ajudar a entender o problema, identificar os sintomas, conhecer as principais formas de tratamento e descobrir como melhorar a qualidade de vida do idoso com dignidade, conforto e segurança.


O que é incontinência urinária em idosos?

A incontinência urinária é caracterizada pela perda involuntária de urina, podendo ocorrer em pequenas quantidades ou em episódios mais intensos.

Ela pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum na terceira idade. Estima-se que entre 30% e 60% dos idosos apresentem algum grau de incontinência urinária.

Apesar disso, é importante reforçar:👉 Incontinência urinária não é normal e não deve ser ignorada.

Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de controle e melhora dos sintomas.


Principais causas da incontinência urinária em idosos

O envelhecimento traz mudanças no organismo que podem favorecer a incontinência, mas ela geralmente está associada a fatores específicos. Entre os principais, estão:

1. Alterações musculares e neurológicas

Com o passar dos anos, os músculos do assoalho pélvico podem perder força, dificultando o controle da bexiga. Alterações nos nervos responsáveis pela micção também podem afetar a capacidade de segurar a urina.

2. Doenças crônicas

Algumas doenças podem influenciar diretamente o controle urinário, como:

  • Diabetes

  • Doenças cardiovasculares

  • Parkinson

  • Alzheimer e outras demências

  • Acidente vascular cerebral (AVC)

Essas condições podem alterar a sensibilidade da bexiga, a mobilidade e a percepção da vontade de urinar.

3. Uso de medicamentos

Certos medicamentos podem aumentar a produção de urina ou relaxar os músculos da bexiga, como:

  • Diuréticos

  • Sedativos

  • Antidepressivos

  • Antihipertensivos

Por isso, é importante sempre avaliar os efeitos colaterais com o médico.

4. Alterações hormonais

Em mulheres, a queda do estrogênio após a menopausa pode enfraquecer os músculos do assoalho pélvico, aumentando o risco de incontinência.

5. Problemas na próstata

Em homens, a hiperplasia prostática benigna (HPB) pode obstruir o fluxo urinário e causar dificuldade para esvaziar a bexiga, resultando em perdas involuntárias.


Tipos de incontinência urinária

Existem diferentes tipos de incontinência, e cada um exige abordagem específica:

Incontinência de esforço

Ocorre ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço físico.

Incontinência de urgência

Caracterizada por vontade súbita e intensa de urinar, sem conseguir chegar ao banheiro a tempo.

Incontinência mista

Combinação de esforço e urgência.

Incontinência por transbordamento

A bexiga não esvazia completamente, causando vazamentos constantes.

Incontinência funcional

O idoso tem capacidade de controlar a urina, mas não consegue chegar ao banheiro por limitações físicas ou cognitivas.


Como identificar a incontinência urinária

Os sintomas podem variar, mas os sinais mais comuns incluem:

  • Perda involuntária de urina ao tossir, rir ou fazer esforço

  • Urgência urinária frequente

  • Necessidade de urinar muitas vezes ao dia

  • Incontinência noturna (xixi na cama)

  • Dificuldade em controlar a vontade de urinar

Ao identificar esses sinais, é fundamental procurar um profissional de saúde.


Impactos da incontinência urinária na qualidade de vida

A incontinência urinária vai muito além do desconforto físico. Ela afeta profundamente a saúde emocional e social do idoso.

1. Impacto emocional

  • Vergonha

  • Baixa autoestima

  • Depressão

  • Ansiedade

2. Impacto social

  • Evitar sair de casa

  • Redução do convívio social

  • Isolamento

3. Impacto físico

  • Infecções urinárias

  • Dermatites e assaduras

  • Risco de quedas (correndo ao banheiro)

  • Distúrbios do sono

Por isso, tratar a incontinência é uma questão de saúde e dignidade.


Como lidar com a incontinência urinária no dia a dia

Cuidar de um idoso com incontinência urinária exige empatia, paciência e informação.

1. Tenha uma postura acolhedora

Ninguém escolhe ter incontinência. O idoso geralmente se sente envergonhado, por isso o apoio emocional é essencial.

Evite críticas, piadas ou repreensões. Demonstre compreensão e respeito.

2. Estabeleça uma rotina de idas ao banheiro

Criar horários regulares para urinar ajuda a reduzir episódios de perda.

Exemplo:

  • A cada 2 ou 3 horas durante o dia

  • Antes de dormir

3. Adapte o ambiente

  • Banheiro de fácil acesso

  • Barras de apoio

  • Boa iluminação

  • Caminho livre de obstáculos

Essas adaptações reduzem quedas e aumentam a autonomia.

4. Use produtos absorventes adequados

Absorventes geriátricos e fraldas são essenciais para controlar vazamentos e garantir conforto, higiene e dignidade.


Tratamentos para incontinência urinária

Embora nem todos os casos tenham cura definitiva, existem tratamentos eficazes para controle dos sintomas.

1. Exercícios de Kegel

Fortalecem os músculos do assoalho pélvico e ajudam a controlar a urina. Podem ser feitos em casa com orientação profissional.

2. Fisioterapia pélvica

Fisioterapeutas especializados ensinam exercícios e técnicas para melhorar o controle da bexiga.

3. Medicamentos

Alguns medicamentos ajudam a controlar a contração da bexiga e aumentar a capacidade de armazenamento de urina.

4. Dispositivos médicos

  • Cateteres

  • Coletores urinários

  • Dispositivos absorventes

São indicados em casos específicos e sob orientação médica.

5. Cirurgia

Indicada em situações específicas, como obstruções ou alterações anatômicas.


O papel da família e dos cuidadores

A família e os cuidadores têm papel fundamental no cuidado do idoso com incontinência.

1. Acompanhamento médico

Levar o idoso às consultas e acompanhar o tratamento.

2. Monitoramento de sintomas

Observar mudanças na urina, dor, febre ou irritações na pele.

3. Apoio emocional

Demonstrar carinho, respeito e compreensão.


Incontinência urinária em ILPIs e residenciais geriátricos

Em instituições de longa permanência, o cuidado com a incontinência deve ser parte da rotina assistencial.

Boas práticas incluem:

  • Trocas regulares de fraldas

  • Avaliação de pele

  • Rotinas de hidratação

  • Registro de episódios de incontinência

  • Treinamento de equipe

Um ambiente adaptado e profissionais especializados fazem toda a diferença na qualidade de vida do idoso.


Prevenção de complicações

O manejo correto da incontinência evita problemas graves, como:

  • Assaduras

  • Lesões por pressão

  • Infecções urinárias

  • Infecções de pele

  • Mau cheiro e desconforto

A escolha de produtos adequados é essencial para evitar essas complicações.


Qualidade de vida e dignidade na terceira idade

Lidar com a incontinência urinária é uma questão de saúde, mas também de respeito e dignidade.

Com informação, tratamento adequado, apoio familiar e produtos de qualidade, o idoso pode continuar vivendo com conforto, autonomia e segurança.


Conclusão

A incontinência urinária é uma condição comum, mas que não deve ser tratada como algo normal ou inevitável. Ela pode ser controlada com tratamento médico, mudanças na rotina, apoio emocional e o uso de produtos apropriados.

Com paciência, empatia e informação, é possível transformar a rotina do idoso, reduzir o constrangimento e melhorar significativamente sua qualidade de vida.

Cuidar da incontinência urinária é cuidar da dignidade, da saúde e do bem-estar de quem já viveu tantas histórias.


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