Como Organizar um Carnaval Seguro para Idosos em ILPIs e Instituições Geriátricas
- Paulo Sérgio Allgayer

- 12 de fev.
- 3 min de leitura
O Carnaval é uma das festas mais tradicionais do Brasil, marcada por música, cores e alegria. Na terceira idade, essa celebração pode ser muito mais do que diversão: ela se torna uma oportunidade de estimular a socialização, a memória afetiva e o bem-estar emocional dos idosos.
Em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), clínicas geriátricas e centros-dia, o Carnaval pode ser promovido com segurança e inclusão — desde que haja planejamento adequado.
Neste artigo, você confere orientações práticas para organizar um Carnaval seguro para idosos, respeitando suas limitações e promovendo qualidade de vida.
Por que promover o Carnaval na terceira idade?
Celebrar datas comemorativas na terceira idade traz benefícios importantes.
Estímulo à socialização
Eventos temáticos incentivam a interação entre os residentes, fortalecendo vínculos e reduzindo o isolamento social — um dos principais fatores associados à depressão na pessoa idosa.
Resgate da memória afetiva
Marchinhas antigas e músicas tradicionais despertam lembranças da juventude, estimulando a memória e promovendo emoções positivas. Esse estímulo é especialmente relevante para idosos com início de declínio cognitivo.
Movimento e autoestima
Mesmo com atividades leves, como dança sentada ou participação em desfiles internos, os idosos se sentem valorizados e incluídos. A escolha de fantasias simples também contribui para a autoestima.
Planejamento e segurança: prioridades em ILPIs
Ao organizar um Carnaval em ILPIs, a segurança deve estar em primeiro lugar.
Antes do evento, é importante:
Avaliar restrições médicas dos residentes
Considerar limitações de mobilidade
Ajustar horários conforme medicações
Observar condições cardiovasculares
Idosos com hipertensão, problemas cardíacos ou maior sensibilidade a ruídos precisam de atenção redobrada.
Organização do ambiente
O espaço da celebração deve ser adaptado para evitar riscos.
Ambiente seguro
Piso antiderrapante
Boa circulação
Cadeiras firmes com apoio
Ausência de fios soltos ou tapetes
Evitar aglomerações também é essencial para reduzir riscos de quedas e desconfortos.
Controle de som e temperatura
O volume da música deve ser moderado. Sons muito altos podem causar confusão, ansiedade ou desconforto auditivo.
Além disso, como o Carnaval acontece em períodos quentes, é fundamental manter o ambiente ventilado e oferecer água com frequência para evitar desidratação.
Atividades inclusivas para todos
Um Carnaval inclusivo considera diferentes níveis de autonomia.
Algumas atividades adaptadas incluem:
Dança sentada
Oficina de máscaras simples
Karaokê de marchinhas
Desfile interno com acompanhamento da equipe
Rodas de conversa sobre “Carnavais do passado”
Mesmo idosos com mobilidade reduzida podem participar de forma simbólica, sentindo-se parte da celebração.
Fantasias e alimentação: cuidados essenciais
Na escolha de fantasias, o conforto deve ser prioridade.
Prefira:
Tiaras leves
Chapéus simples
Camisetas temáticas
Adereços em EVA
Evite peças pesadas, quentes ou com pequenos objetos destacáveis.
Na alimentação, opte por:
Frutas picadas
Gelatina
Lanches leves
Sucos naturais
Evite frituras, excesso de açúcar e bebidas alcoólicas. Respeitar restrições alimentares individuais é indispensável.
Equipe preparada faz a diferença
Durante o evento, a equipe deve:
Monitorar sinais de cansaço
Observar alterações de pressão
Incentivar a hidratação
Manter supervisão constante
Ter um kit de primeiros socorros acessível e profissionais atentos garante uma experiência mais tranquila e segura.
Estrutura e materiais adequados
Para que a celebração aconteça de forma organizada, é fundamental contar com estrutura adequada e produtos essenciais disponíveis, como:
Fraldas geriátricas
Lenços umedecidos
Materiais descartáveis
Produtos de higiene
Itens de limpeza
A organização logística impacta diretamente na segurança e no conforto dos residentes.
Conclusão
Promover o Carnaval na terceira idade é uma forma de valorizar a história, a cultura e a individualidade de cada idoso.
Com planejamento, ambiente seguro, atividades adaptadas e equipe preparada, é possível transformar a festa em uma experiência alegre, terapêutica e inclusiva.
Mais do que uma comemoração, trata-se de um cuidado humanizado que fortalece vínculos e contribui para o bem-estar integral da pessoa idosa.




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